Lembra do tempo da poesia?
Lembra do tempo em que a gente fazia
Loucuras em nossa alegria?
Por acaso a humanidade ficou cansada
Ou simplesmente está dominada
Por um espírito de porco ou nada?
Um jovem rapaz vindo da Síria
Refugiado de guerra no Brasil
Sustenta a sua família
Sua amada mulher e seu filho
Com seu trabalho de vendedor ambulante
De comida árabe em Copacabana
Todo mundo viu isso na televisão
Mas é preciso registrar a loucura
Como uma forma de prevenção
Pra não enlouquecer também
Um sujeito se dizendo brasileiro
Mais brasileiro que o pacífico rapaz
Que é casado com uma brasileira
E tem um filho brasileiro com ela
Empurrou a carrocinha do cara
Empunhou dois enormes pedaços de pau
E começou a berrar
Que todo árabe seria terrorista
Que o jovem voltasse pra sua terra
Que aqui era o Brasil
Não, sujeito imbecil
O Brasil não é chauvinista, racista, nazista,
Burro, nem faz (ou não deveria)
Essas coisas desumanas
Com as pessoas, em Copacabana,
E em todo o país
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