Meus versos são estes aqui
Só pra não dizerem que eu não tava querendo
Produzir mas prudente pretendo
Que sei o que falo eu sei umas coisas aí
Que quero compartilhar
Por pura vontade de ajudar
Então, minha irmã e meu irmão,
Leia atentamente a citação:
Em
uma ocasião comentou que, apesar da drenagem energética a que a interação social
nos expõe, todos temos uma opção, pois a condição selada de nossa constituição
luminosa nos permite recomeçar do zero a cada momento para recuperar nossa
totalidade.
“Nunca
é tarde – afirmou. – Enquanto estamos vivos, sempre há um modo de vencer
qualquer tipo de bloqueio. A melhor maneira de recuperar as fibras luminosas
que tivemos dissipado é chamando de volta nossa energia. A parte mais
importante é dar o primeiro passo. Para aqueles que estão interessados em
economia e recuperação de sua energia, o único caminho aberto é a recapitulação”.
“Um
bruxo sabe que se não vamos por nossos fantasmas, eles vêm por nós. Por isso
não deixa pendências. Reconta seu passado, busca a conjuntura mágica – o momento
exato onde se involucrou com o destino das pessoas –, aplica toda sua
concentração a esse ponto e desata os laços do intento”.
“Os
bruxos dizem que levamos nossa existência à distância de uma lembrança.
Passamos a vida presos, doídos por algo que ocorreu faz trinta anos e
carregando um fardo que já não tem sentido. ‘Não o perdoo!’, gritamos, mas isso
não é correto, não perdoamos a nós mesmos!”
“Os
compromissos emocionais que contraímos com as pessoas são como investimentos
que fizemos ao longo do caminho. Temos de ser muito tolos para deixar nosso
patrimônio largado por aí!”
“A
única forma que podemos voltar a estar completos é colhendo esse investimento,
reconciliando-nos com nossa energia e dissipando a carga dos sentimentos. O melhor
método que descobriram os bruxos para isso é rememorar os sucessos de nossa
história pessoas até sua completa digestão. A recapitulação te tira do passado
e te insere no agora”.
“Não
podemos evitar haver nascido de transas chatas, e tampouco haver investido a
maior parte de nossa luminosidade em fazer filhos ou manter relações
desgastantes. Mas podemos recapitular; isso cancela o efeito energético
daqueles atos”.
“Afortunadamente,
no âmbito da energia não existem coisas como o tempo e o espaço. Assim é possível
regressar ao lugar, ao momento exato onde se deram os eventos a ser revividos.
Não é muito difícil, já que todos sabemos muito bem onde nos dói”.
“Recapitular
é espreitar nossas rotinas, submetendo-as a um exame sistemático e rigoroso. É
a atividade que nos permite visualizar nossa vida como totalidade e não como
uma sucessão eventual de momentos. Sem dúvida, e ainda que isso possa parecer
estranho, só os bruxos recapitulam como norma, o resto das pessoas apenas o faz
por casualidade.”
“A
recapitulação é a herança dos antigos videntes, a prática básica, a essência da
bruxaria. Sem ela não há caminho. Dom Juan costumava referir-se desdenhosamente
aos aprendizes que não havíamos recapitulado como ‘radioativos’. Dom Genaro nem
sequer me dava a mão, e se eu encostava nele por casualidade, corria para se
lavar como se o houvesse infectado. Dizia que eu estava cheio de porcaria e que
me escorria por cada poro da pele. Com essa paródia, me impregnou com a ideia
de que recapitular é um ato elementar de higiene”.
Em
outra conferência, Carlos se referiu ao estancamento luminoso que descreveu
como uma fixação de nossa atenção que bloqueia o fluxo da energia. Disse que
isso ocorre quando nos negamos a enfrentar os feitos e nos resguardamos detrás
de ações evasivas. Também, quando deixamos assuntos pendentes o contraímos
compromissos que nos prendem.
A
consequência do estancamento é que a pessoa deixa de ser ela mesma. Ao estar
pressionada pela cadeia de decisões que tomou durante sua vida já não pode
atuar de maneira deliberada e se envolve nas circunstâncias. Esta situação pode
chegar ao ponto da doença mental ou física, e apenas se pode solucionar através
da recapitulação.
Manteve
que, em essência, recapitular consiste em fazer uma lista das feridas causadas
por nossas interações. O seguinte passo é viajar de volta ao momento quando
tiveram lugar os feitos para absorver de volta o que nos pertence e devolver o
alheio.
“O
guerreiro começa rebobinando seu dia. Reconstrói as conversas, decifra os significados,
recorda as caras e os nomes, busca nuances, insinuações, disseca a reações emocionais
próprias e alheias. Não deixa nada ao acaso, agarra as recordações do dia uma
por uma e as limpa através da respiração”.
“Também
esquadrinha capítulos e categorias completas de sua vida. Por exemplo, as companheiras que teve, as casas que viveu, escolas, lugares de trabalho, amigos
e inimigos, brigas e momentos felizes, e assim por diante. O ideal é submeter a
tarefa à ordem cronológica, desde a lembrança mais recente até o mais distante
que seja possível evocar. Mas, para começar, é mais fácil fazê-lo por temas.
“Uma
forma muito rentável do exercício, acessível todos nós, é a recapitulação
fortuita (casual). Se notarem, constantemente estamos recapitulando. Todas as
recordações que conformam nosso diálogo interno podem ser catalogadas como tal.
Sem dúvida, as evocamos de forma involuntária. Em lugar de observá-las em
silêncio, as julgamos, interagimos com elas visceralmente. Isso é lastimoso. Um
guerreiro aproveita a oportunidade, porque essas recordações, que aparentemente
surgem ao acaso, são avisos
de nosso lado silencioso”.
“Assinalou
que para recapitular não são imprescindíveis condições especiais. Pode-se intentar o exercício em qualquer momento e qualquer lugar em que a pessoa se
sinta animada a fazê-lo”.
“Os
guerreiros recapitulam quando vão pelo caminho, no banho, ao trabalhar ou ao
comer, quando seja possível! O importante é fazê-lo!”
Acrescentou
que não há uma postura definida. O único requisito é estar cômodos, para que o
corpo físico não demande atenção nem interfira com as lembranças.
“Sem
dúvida, os bruxos levam muito a sério o exercício. Alguns usam para esse efeito
caixas de madeira, tapumes, armários ou covas. Outros fabricam um assento nos
galhos mais altos das árvores grandes ou cavam um buraco na terra e cobrem com
ramos. Uma boa prática é recapitular sentados na cama, na penumbra, antes de
deitar para dormir. Qualquer meio que nos ilhe do entorno serve para recapitular
formalmente”.
“Uma
vez que tivermos localizado um evento e recriado cada uma de suas partes, há de
inalar para recuperar a energia de deixamos para trás e exalar as fibras que os
demais depositaram em nós. A respiração é mágica, porque é uma função que dá a
vida”.
Carlos nos explicou que este tipo de respiração deve ser acompanhado de um
movimento lateral da cabeça que os bruxos chamam “ventilar o evento”.
Alguém
perguntou se é necessário respirar da direita para a esquerda ou vice-versa.
Ele
respondeu:
“Que
importa isso? É um trabalho energético, não há um padrão fixo. O que vale é o
intento. Aspirem quando buscarem recuperar algo e soprem de volta o que não
seja de vocês. Se fizerem isso com a totalidade de sua história, deixarão de
viver atados a uma cadeia de recordações e se focarão no presente. Os
videntes descrevem esse efeito como enfrentar aos feito tal como são ou ver o
tempo objetivamente”.
(TORRES,
Armando. Encontros com o Nagual;
conversações com Carlos Castaneda. Trad. Ana Carolina Yamashita. México: Alba,
2004, p. 78-82)