A moça explica com gestos e sotaque:
Várias empresas estrangeiras, aqui na Malásia
Ela é Malaia, mas mora no Brasil
Todo mundo pensa que esta é a casa da mãe Joana Dark
Mas é a terra das oportunidades pra quem
Procura o obscuro, o outro-si, o ouro da tarde
Minha terra tem besteiras onde canta a solidão
E outros efeitos estufa de uma globalização
Do medo e do arremedo, do arraso e do raso, do degredo
Assim essa pátria que a gente quer que seja uma mãe
Precisa antes de tudo de nós
De nossa coragem de sermos
Serenos e certos do que nos constitui e o que constituímos
Este rio que flui e a casa em que vivemos
Um bilhão de biais
Ou poetiticos que tais
Lambendo o chão dos palácios
E dos palhaços globais
Não valem um Maiakovski
Por isto é que nesta écloga
Em que homens-rãs e homens-formigas
Lançam ao ar seus versos-risos bestiais
Eu abro o seu livro, meu amigo poeta
E me delicio com o amor verdadeiro
Que você teve e tem pelo planeta
E por sua humanidade e sua vontade
De futuro e verdade
Inteligência sã em liberdade
Santos
Mahatmas
Tom
Zé
Eugène
Ionesco
Luigi
Pirandello
Como querem que as pessoas não virem javalis,
Rinocerontes, jacarés do papo amarelo
Se elas veem tv e internet o tempo inteiro
E vão sendo nazistamente zumbizadas plus roubadas
Da força da energia da magia
A tv e a internet podiam ser fontes
De pensamentos sentimentos e alegrias
Do jeito que a coisa é são fábricas da coisa
Mais burra mais fria mais torpe mais mesquinha
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