sexta-feira, 3 de novembro de 2017

03/11

Meus versos são estes aqui
Só pra não dizerem que eu não tava querendo
Produzir mas prudente pretendo
Que sei o que falo eu sei umas coisas aí
Que quero compartilhar
Por pura vontade de ajudar
Então, minha irmã e meu irmão,
Leia atentamente a citação:

Em uma ocasião comentou que, apesar da drenagem energética a que a interação social nos expõe, todos temos uma opção, pois a condição selada de nossa constituição luminosa nos permite recomeçar do zero a cada momento para recuperar nossa totalidade.
“Nunca é tarde – afirmou. – Enquanto estamos vivos, sempre há um modo de vencer qualquer tipo de bloqueio. A melhor maneira de recuperar as fibras luminosas que tivemos dissipado é chamando de volta nossa energia. A parte mais importante é dar o primeiro passo. Para aqueles que estão interessados em economia e recuperação de sua energia, o único caminho aberto é a recapitulação”.
“Um bruxo sabe que se não vamos por nossos fantasmas, eles vêm por nós. Por isso não deixa pendências. Reconta seu passado, busca a conjuntura mágica – o momento exato onde se involucrou com o destino das pessoas –, aplica toda sua concentração a esse ponto e desata os laços do intento”.
“Os bruxos dizem que levamos nossa existência à distância de uma lembrança. Passamos a vida presos, doídos por algo que ocorreu faz trinta anos e carregando um fardo que já não tem sentido. ‘Não o perdoo!’, gritamos, mas isso não é correto, não perdoamos a nós mesmos!”
“Os compromissos emocionais que contraímos com as pessoas são como investimentos que fizemos ao longo do caminho. Temos de ser muito tolos para deixar nosso patrimônio largado por aí!”
“A única forma que podemos voltar a estar completos é colhendo esse investimento, reconciliando-nos com nossa energia e dissipando a carga dos sentimentos. O melhor método que descobriram os bruxos para isso é rememorar os sucessos de nossa história pessoas até sua completa digestão. A recapitulação te tira do passado e te insere no agora”.
“Não podemos evitar haver nascido de transas chatas, e tampouco haver investido a maior parte de nossa luminosidade em fazer filhos ou manter relações desgastantes. Mas podemos recapitular; isso cancela o efeito energético daqueles atos”.
“Afortunadamente, no âmbito da energia não existem coisas como o tempo e o espaço. Assim é possível regressar ao lugar, ao momento exato onde se deram os eventos a ser revividos. Não é muito difícil, já que todos sabemos muito bem onde nos dói”.
“Recapitular é espreitar nossas rotinas, submetendo-as a um exame sistemático e rigoroso. É a atividade que nos permite visualizar nossa vida como totalidade e não como uma sucessão eventual de momentos. Sem dúvida, e ainda que isso possa parecer estranho, só os bruxos recapitulam como norma, o resto das pessoas apenas o faz por casualidade.”
“A recapitulação é a herança dos antigos videntes, a prática básica, a essência da bruxaria. Sem ela não há caminho. Dom Juan costumava referir-se desdenhosamente aos aprendizes que não havíamos recapitulado como ‘radioativos’. Dom Genaro nem sequer me dava a mão, e se eu encostava nele por casualidade, corria para se lavar como se o houvesse infectado. Dizia que eu estava cheio de porcaria e que me escorria por cada poro da pele. Com essa paródia, me impregnou com a ideia de que recapitular é um ato elementar de higiene”.
Em outra conferência, Carlos se referiu ao estancamento luminoso que descreveu como uma fixação de nossa atenção que bloqueia o fluxo da energia. Disse que isso ocorre quando nos negamos a enfrentar os feitos e nos resguardamos detrás de ações evasivas. Também, quando deixamos assuntos pendentes o contraímos compromissos que nos prendem.
A consequência do estancamento é que a pessoa deixa de ser ela mesma. Ao estar pressionada pela cadeia de decisões que tomou durante sua vida já não pode atuar de maneira deliberada e se envolve nas circunstâncias. Esta situação pode chegar ao ponto da doença mental ou física, e apenas se pode solucionar através da recapitulação.
Manteve que, em essência, recapitular consiste em fazer uma lista das feridas causadas por nossas interações. O seguinte passo é viajar de volta ao momento quando tiveram lugar os feitos para absorver de volta o que nos pertence e devolver o alheio.
“O guerreiro começa rebobinando seu dia. Reconstrói as conversas, decifra os significados, recorda as caras e os nomes, busca nuances, insinuações, disseca a reações emocionais próprias e alheias. Não deixa nada ao acaso, agarra as recordações do dia uma por uma e as limpa através da respiração”.
“Também esquadrinha capítulos e categorias completas de sua vida. Por exemplo, as companheiras que teve, as casas que viveu, escolas, lugares de trabalho, amigos e inimigos, brigas e momentos felizes, e assim por diante. O ideal é submeter a tarefa à ordem cronológica, desde a lembrança mais recente até o mais distante que seja possível evocar. Mas, para começar, é mais fácil fazê-lo por temas.
“Uma forma muito rentável do exercício, acessível todos nós, é a recapitulação fortuita (casual). Se notarem, constantemente estamos recapitulando. Todas as recordações que conformam nosso diálogo interno podem ser catalogadas como tal. Sem dúvida, as evocamos de forma involuntária. Em lugar de observá-las em silêncio, as julgamos, interagimos com elas visceralmente. Isso é lastimoso. Um guerreiro aproveita a oportunidade, porque essas recordações, que aparentemente surgem ao acaso, são avisos de nosso lado silencioso”.
“Assinalou que para recapitular não são imprescindíveis condições especiais. Pode-se intentar o exercício em qualquer momento e qualquer lugar em que a pessoa se sinta animada a fazê-lo”.
“Os guerreiros recapitulam quando vão pelo caminho, no banho, ao trabalhar ou ao comer, quando seja possível! O importante é fazê-lo!”
Acrescentou que não há uma postura definida. O único requisito é estar cômodos, para que o corpo físico não demande atenção nem interfira com as lembranças.
“Sem dúvida, os bruxos levam muito a sério o exercício. Alguns usam para esse efeito caixas de madeira, tapumes, armários ou covas. Outros fabricam um assento nos galhos mais altos das árvores grandes ou cavam um buraco na terra e cobrem com ramos. Uma boa prática é recapitular sentados na cama, na penumbra, antes de deitar para dormir. Qualquer meio que nos ilhe do entorno serve para recapitular formalmente”.
“Uma vez que tivermos localizado um evento e recriado cada uma de suas partes, há de inalar para recuperar a energia de deixamos para trás e exalar as fibras que os demais depositaram em nós. A respiração é mágica, porque é uma função que dá a vida”.
Carlos nos explicou que este tipo de respiração deve ser acompanhado de um movimento lateral da cabeça que os bruxos chamam “ventilar o evento”.
Alguém perguntou se é necessário respirar da direita para a esquerda ou vice-versa.
Ele respondeu:
“Que importa isso? É um trabalho energético, não há um padrão fixo. O que vale é o intento. Aspirem quando buscarem recuperar algo e soprem de volta o que não seja de vocês. Se fizerem isso com a totalidade de sua história, deixarão de viver atados a uma cadeia de recordações e se focarão no presente. Os videntes descrevem esse efeito como enfrentar aos feito tal como são ou ver o tempo objetivamente”.

(TORRES, Armando. Encontros com o Nagual; conversações com Carlos Castaneda. Trad. Ana Carolina Yamashita. México: Alba, 2004, p. 78-82)

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