quinta-feira, 5 de outubro de 2017

05/10

Vontade de responder a cada fala sua
Mas sinto que não seria apropriado
Essa poesia toda é só sua e continua
De uma forma que não tem abertura
Mesmo estando conectada com o tempo
E o espaço
E todo mundo
Essa é uma qualidade
Entre tantas mas acho que sua escrita não precisa
De crítico ou empurrãozinho, sendo preciosa
E ao mesmo tempo única,
Tudo que necessita é de si mesma
Pra se ler e reler pela primeira vez
Sempre
Uma escrita de princesa
Não pode duvidar dos castelos do universo
E da existência
De gente da sua mesma natureza
De coração assim nobre
Igual a ela

Me confundo mais a cada fala minha
Como se a língua fosse areia
Movediça
Aliás que tolice
Falar como se
A língua o é
Por isso meu ideal de poeta e alquimista
É fazer a super poesia
Que não usa nem precisa
Desses signos mesquinhos
Que o ser humano requenta
Toda hora
Pra comer
Pra comprar
Pra se esconder
Do ser
Como fico com um pé lá e outro aqui
Meio humano meio ser que já nasci
Mas ainda não escolheu ser animal
Vegetal anjo ou mineral
Eu faço o exercício da poesia à vera
Que é quando eu já falei tudo que podia ao longo do dia
Escrevi todas as letras que meus dedos atletas
Pediram pra escrever
E sobrou eu nesse ar quente que penetra
A noite dos sonhos e fico a pairar
Nesse sentimento risonho mas estranho
Em que conheço alguém e sou seu par
Mesmo sabendo que nasci da flor do lodo
E fui encadeado como todos ao vil metal do logo
Mas nessas horas de pura poesia sem falar
Nem escrever
Minha amiga poeta
Acho que você sim pode entender
Eu saio desse lago de bebê
E sou maior que o mundo
Um mundo novo

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