Estava eu com quinze anos
e cursando a primeira série do segundo grau
Sentia muitas coisas, como um turbilhão
E me esforçava pra pensar
Pra poder entender todas coisas confusas que me
vinham
À mente mescladas com toda a outra confusão
Que eu via o tempo todo
Se desdobrando no mundo ao meu redor
Eu tinha sido um garoto extrovertido
E um pré-adolescente tímido e sonhador
Agora tinha traçado o plano de me tornar um
adolescente ousado
Jogando fora toda a timidez que se desenvolveu
Na verdade, era mais um gostar de estar na minha
Principalmente ligado ao meu amor pelos livros
Que tinha surgido pra mim
Esse amor pelos livros
Entre os quatro e os cinco anos de idade
Quando aprendi a ler vendo um programa de
alfabetização na tv
Empolgado com a possibilidade de decifrar a escrita
Que me parecia enigmática
Que prometia conter e contar segredos
transcendentais
E com uma outra causa
Que também me fazia ver os livros com afeto
As narrativas
Eu amava ver filmes, desenhos e novelas
E, principalmente,
A adaptação da época do Sítio do Picapau Amarelo do Monteiro
Lobato prà televisão
Meus pais nos incentivavam pra ler
Queriam filhos inteligentes e cultos
E compraram vários livros pra eles e pra nós
Que ficavam lá, soberanos, numa pequena estante de
varetas de metal na sala
Um dia, minha mãe me falou que uma coleção
encadernada em capa dura verde tinha as histórias originais do Sítio
Quando eu soube disso, quis mais que tudo poder ler
aqueles livros,
Vontade que se somava ao mistério e às promessas mágicas
dos signos grafados
E eu resolvi que ia logo aprender a ler
Percebi que um programa da tv, pela manhã,
ensinava, eu tinha quatro anos de idade
Pedi a minha mãe pra ver aquele programa da tv todo
dia, e aprendi
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